O cinema paranaense se reúne na Cinemateca de Curitiba — e o filme de Semi Salomão integra o seleto grupo de estreias da 8ª edição do Cine Tornado Festival.
Entre os dias 26 e 30 de maio de 2026, a Cinemateca de Curitiba recebe a Pinhatella — Mostra de Filmes Paranaenses, evento âncora da 8ª edição do Cine Tornado Festival. Com entrada franca, a mostra reúne curtas e longas-metragens produzidos no estado, distribuídos em 13 programas que cobrem ficção, documentário, animação, experimentação e estreias.
O espaço que abriga a mostra é a histórica Cinemateca de Curitiba, na Rua Carlos Cavalcanti, 1174, no bairro São Francisco — instituição fundada em 1975 por Valêncio Xavier, que durante a ditadura militar se tornou um centro clandestino de formação, exibição e resistência cultural, e que segue sendo o principal polo de preservação e difusão do cinema paranaense.
A Pinhatella — cujo nome evoca a pinha da araucária, símbolo maior da identidade do Paraná — é estruturada em torno da valorização da produção regional, do pluralismo cultural, do diálogo entre linguagens e da preservação da memória cinematográfica. A programação desta edição inclui, além da mostra competitiva de novos talentos, sessões em película do acervo da Cinemateca, debates com realizadores e cerimônia de premiação no encerramento.
O Cine Tornado Festival é idealizado e dirigido por Donatella Tornado — nome artístico com o qual assina a pesquisadora e ensaísta Eveline Araujo, curadora geral do evento e responsável pela seleção de todos os filmes. Com formação em comunicação científica e análise de discurso, Donatella consolidou o festival ao longo de oito edições como um espaço genuíno de experimentação curatorial, onde o cinema é tratado como forma de pensamento — e não apenas de entretenimento.
A realização é uma parceria entre a Tornado Produções e Eventos e a própria Cinemateca de Curitiba. A curadoria de filme-arte conta ainda com a participação de Roderick Steel, artista visual e PhD em Cinema pela USP, que integra a equipe desde 2015 e assina a identidade visual do festival — incluindo o deslumbrante cartaz desta edição.
Fundada em 1975 pelo escritor e cineasta Valêncio Xavier, a Cinemateca de Curitiba nasceu em plena ditadura como um espaço de resistência e formação. Ali, gerações de jovens aprenderam a ver e a fazer cinema — como documenta Geração Cinemateca, curta de Miriam Karan que integra esta Pinhatella. Mais de cinco décadas depois, a instituição segue sendo a casa do cinema paranaense: um lugar onde a projeção em película não é nostalgia, mas preservação de algo que ainda respira.
A seleção desta edição traça um panorama rico e diverso do que se produz no Paraná hoje. Entre os destaques:
Na sexta-feira, 29 de maio, às 18h, o Programa 12 apresenta a sessão de estreia do longa-metragem Apucarana – Cidade Oculta, dirigido por Semi Salomão. Com 1h30 de duração e debate ao final, o filme integra a categoria Estreia — Memória, Território e Identidade, que a curadoria da Pinhatella reserva para obras centradas na articulação entre história pessoal e memória coletiva por meio de abordagem contemporânea.
O filme acompanha Neto, que revisita a trajetória de sua família enquanto mergulha na memória da cidade de Apucarana, no Norte do Paraná — onde cada locação integra organicamente a narrativa. Inspirado em histórias reais e sustentado por ampla pesquisa histórica, o longa recria o passado e projeta o futuro com o uso de tecnologia de ponta, incluindo imagens geradas por inteligência artificial. A obra transita entre três tempos — passado, presente e futuro —, articulando a saga de uma família fundadora da cidade com a memória coletiva de um lugar.
A seleção pelo Cine Tornado Festival representa o reconhecimento institucional de um projeto que nasceu de uma pesquisa profunda sobre as raízes de uma cidade e de um povo — e que chega à Cinemateca de Curitiba como uma das estreias mais aguardadas da edição.
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