Com casa repleta e comoção visível entre o público, a segunda sessão de Apucarana — Cidade Oculta aconteceu na noite do último sábado, 17 de maio, no Cine Teatro Fênix. O longa-metragem do cineasta e ator Semi Salomão voltou a surpreender apucaranenses de todas as gerações — desta vez com a presença de autoridades municipais, representantes das forças de segurança, lideranças empresariais, nomes históricos da cultura local e um convidado muito especial: o irmão de Talita Bresolin, figura histórica retratada no filme.

Autoridades e personalidades presentes na segunda sessão

Uma Noite de História Viva

Desde cedo, o foyer do Cine Teatro Fênix registrou movimento incomum para uma sessão de cinema regional. A segunda exibição do filme, que já havia lotado a sala em sua estreia no dia 25 de abril, voltou a atrair um público expressivo — confirmando que a obra do cineasta e diretor Semi Salomão transcende o circuito local e toca algo mais profundo: a memória coletiva de uma cidade inteira.

O evento contou com ampla cobertura da imprensa, com equipes do Canal 38, da 98 FM, do TNOnline e de outros veículos que acompanharam os bastidores e entrevistaram o público ao sair da sessão.

O Deputado Federal e a Memória que se Eterniza

Deputado Federal Beto Preto concede entrevista no Cine Teatro Fênix

Dep. Federal Beto Preto concede entrevista após a sessão · Canal 38 · 17 mai 2026

O deputado federal Beto Preto não escondeu a emoção ao falar sobre o que viu na tela. Confesso admirador do cineasta Semi Salomão — a quem acompanha desde os primeiros trabalhos e com quem mantém laços que remontam às próprias origens da família Salomão em Apucarana —, o parlamentar ressaltou a capacidade singular do diretor de transformar história local em narrativa universal.

Sou fã do Semi desde sempre. Conheci o avô, conheço o pai, conheço a mãe, a família toda. Ele conta a história de todos nós através da sua livre criação — conta a história dos libaneses, dos italianos, dos japoneses. A maneira de abordar tem sempre uma relação local. Ele encontra nos pontos pitorescos da cidade uma maneira de contar uma história, de uma chave que se abre, de um portal que existe. Construiu uma narrativa muito bonita, muito bacana. Dep. Federal Beto Preto — Paraná

O deputado recordou ter estado no mesmo Cine Fênix no início dos anos 2000, quando Semi Salomão lançou seu primeiro longa-metragem — e a sala também estava lotada. "Isso demonstra como a arte vai se eternizando. Esse homem é um homem de sucesso. Leva Apucarana onde tiver."

A Voz da Câmara Municipal

Vereador Odarlone Orente concede entrevista no Cine Teatro Fênix

Vereador Odarlone Orente durante entrevista · Cine Teatro Fênix · 17 mai 2026

Em nome do Legislativo municipal, o vereador Odarlone Orente representou a Câmara de Apucarana e declarou que o filme superou todas as suas expectativas. Adotado pela cidade, revelou que a obra o ajudou a compreender de forma mais profunda as raízes históricas de Apucarana.

O filme pôde me trazer elementos para entender o que é a cidade hoje, como ela chegou até aqui — desde a cultura indígena, dos europeus, enfim. Inclusive para pensar: puxa, o nome de uma rua tem esse nome por conta disso. A forma como essa história foi contada ao longo de todo o filme foi muito interessante. Tenho certeza que vai para festival, vai vencer e vai levar todo esse conhecimento para o mundo. Ver. Odarlone Orente — Câmara Municipal de Apucarana

O vereador anunciou que, a partir da Câmara, será aberto um debate sobre incentivos culturais e revisão do plano de cultura municipal, para que produções como a de Semi Salomão possam contar com suporte institucional permanente. "Precisamos estimular e investir na cultura e nas pessoas que produzem arte na nossa localidade. Isso é fundamental."

Ferra Mula: A Instituição que o Filme Resgatou

Alfredo Viol, cofundador da Associação Filantrópica Ferra Mula

Alfredo Viol — cofundador da Ferra Mula · retratado no filme

Zanetti, Vicente B. Junior, José Rota e Élio Pinto no Cine Teatro Fênix

Zanetti (Ferra Mula) · Vicente B. Junior · José Rota · Élio Pinto (ACIA) · 17 mai 2026

Uma das presenças mais simbólicas da noite foi a de Zanetti, representando a Associação Filantrópica Ferra Mula — referência nacional no cenário filantrópico e gastronômico brasileiro. Fundada em 1958, a entidade é conhecida pelo tradicional evento do ferra-mula assado na brasa e por mais de seis décadas de solidariedade que atravessaram gerações no Norte do Paraná.

O filme de Semi Salomão resgata esse patrimônio vivo, imortalizando figuras como Alfredo Viol, um dos fundadores da Ferra Mula, que ajudou a lançar as bases da entidade quando Apucarana ainda era uma cidade jovem. Ver sua história projetada na tela grande foi, para muitos presentes, um reencontro com a alma mais profunda do município.

Semi Salomão com Zanetti, Vicente B. Junior, Beto Preto e alunos do 10º BPM

Da esq. para dir.: Zanetti (Ferra Mula) · instrutores do 10º BPM · Vicente B. Junior (CONSEG) · Semi Salomão · Beto Preto · alunos em formação policial · 17 mai 2026

Segurança Pública em Formação

3º Sargento PM Miguel, 10º Batalhão de Polícia Militar de Apucarana

3º Sgt. PM Miguel · 10º Batalhão PM Apucarana · Canal 38

Alunos do 10º Batalhão de Polícia Militar em formação no Cine Teatro Fênix

Alunos em formação policial do 10º BPM · entrada no Cine Teatro Fênix

A sessão contou com a presença do Dr. Marcus Felipe da Rocha Rodrigues, delegado-chefe da 17ª Subdivisão Policial de Apucarana, e do 3º Sargento PM Miguel, do 10º Batalhão de Polícia Militar, que conduziu ao cinema um grupo de instrutores e soldados em formação. A chegada dos recrutas em fila ordenada pelo saguão foi um dos momentos mais impactantes da noite — reunindo numa mesma sala cultura, história e os futuros guardiões da cidade.

Também marcaram presença Vicente B. Junior, presidente do CONSEG, Renato Calabrese, vice-presidente, e o presidente da ACIA, Élio Pinto.

O Irmão de Talita Bresolin: Uma Família Reunida pelo Cinema

Talita Bresolin segurando a irmã bebê Sarita Bresolin

Talita Bresolin segurando a irmã bebê Sarita · fotografia histórica da família

Talita e o irmão Armanoir Bresolin ainda crianças

Talita e o irmão Armanoir Bresolin ainda crianças · fotografia histórica

Armanoir Bresolin, Sarita Bresolin e José Rota no Cine Teatro Fênix

Da esq. para dir.: Armanoir Bresolin (irmão de Talita) · Sarita Bresolin (irmã de Talita) · José Rota (esposo de Sarita) · Cine Teatro Fênix · 17 mai 2026

Um dos momentos mais tocantes da noite aconteceu quando Armanoir Bresolin — irmão de Talita Bresolin, a jovem professora que faleceu em 1965 com apenas 21 anos e cujo nome batiza uma rua de Apucarana — entrou no Cine Teatro Fênix acompanhado pela irmã Sarita Bresolin e pelo cunhado José Rota. José Rota havia viajado até Londrina especialmente para buscá-lo e trazê-lo à sessão.

Fui à Londrina buscar o irmão da Talita. Vi o Beto, o Pedro Preto, que foi meu amigo. Muita gente que aparece no filme é gente de verdade, pessoas daqui. Parabéns, Semi Salomão! Espetáculo de filme. José Rota — esposo de Sarita Bresolin, cunhado de Talita Bresolin

A Imprensa Registra o Fenômeno

Narciso Prado, apresentador do Canal 38, no Cine Teatro Fênix

Narciso Prado — apresentador e jornalista do Canal 38 · Cine Teatro Fênix · 17 mai 2026

O apresentador do Canal 38, Narciso Prado, um dos rostos mais conhecidos da televisão regional, não escondeu a emoção que o filme lhe provocou. Em entrevista gravada após a sessão, destacou a riqueza da narrativa dupla do longa e elogiou com entusiasmo o uso da inteligência artificial como ferramenta artística a serviço da emoção humana.

Esse filme valorizou a memória, valorizou as nossas raízes, o sacrifício de cada um. E ao mesmo tempo o Semi Salomão descobre talentos, valoriza as pessoas, valoriza a nossa história. Vale a pena assistir várias vezes — porque vai provocar a reflexão várias vezes, de muitas coisas. A equipe toda está de parabéns. Apucarana em ação! Narciso Prado — Apresentador e Jornalista, Canal 38

O Elenco Celebra com o Público

Da esquerda para a direita: Josy Wolks (atriz), Maurício Machado (ator) e Heloíza Miquelão (atriz)

Da esq. para dir.: Josy Wolks (atriz) · Maurício Machado (ator) · Heloíza Miquelão (atriz) · 17 mai 2026

O elenco do filme esteve presente e circulou entre o público após a sessão, recebendo aplausos e pedidos de foto. A atriz Heloíza Miquelão, que interpreta Ana no filme, foi uma das vozes mais tocantes da noite ao falar sobre o impacto que a obra exerceu nela.

Desde o início, quando ele começou a mostrar a história fora do Brasil, depois o pessoal vindo de navio para cá, eu fiquei o tempo todo imaginando meus antepassados — o que eles passaram para chegar até aqui. E ali o filme deixou bem claro que nada morre, tudo se transforma, e cada pessoa vira uma cidade. Cada um de nós tem o seu papel aqui e ninguém está à toa. Deus escolheu a dedo cada um de nós para estarmos aonde a gente está e para fazer a diferença. É só gratidão de estar vivendo tudo isso. Heloíza Miquelão — atriz · papel de Ana

O ator Maurício Machado, que já havia trabalhado com o cineasta Semi Salomão na produção da Paixão de Cristo, refletiu sobre o significado humano do filme: "Ele conseguiu captar, dentro desse filme, algo que está faltando: saber de onde você veio, quem você é. O grande barato da vida é isso."

Arte, Tecnologia e Identidade

Um tema recorrente entre os depoimentos foi o uso da inteligência artificial como instrumento expressivo ao longo do filme. Longe de soar como artifício técnico frio, o recurso foi percebido pelo público como uma extensão da linguagem poética do cineasta — capaz de dar forma visual a memórias, visões e camadas do tempo que o cinema convencional não alcançaria.

Apucarana — Cidade Oculta segue em circulação e, a julgar pela repercussão crescente, deve percorrer um longo caminho — dos cinemas da região aos festivais nacionais e internacionais. Como afirmou o deputado Beto Preto: "A arte vai se eternizando. E o Semi Salomão leva Apucarana onde tiver."

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